
Cathy Delanssay
in: http://mapage.noos.fr/delanssay/html/caressediscrete%20.htm
"Compreender é compreender as razões e as desrazões do outro. É compreender que o self deception, que é o enganar-se a si próprio, um processo mental bem freqüente, pode levar à cegueira sobre o mal cometido, e à auto-justificação, onde o assassinato do outro é considerado justiça ou represália.
A cegueira pode vir de uma impressão cultural sobre os espíritos. A cegueira pode resultar de uma convicção fanática, política ou religiosa. Quando os homens são possuídos pelas idéias, qual é a sua parte de responsabilidade nisso? Esse trabalho de compreensão tem algo de terrível, pois aquele que compreende se coloca em estado de total dessimetria com o fanático que não compreende nada, e que, evidentemente, não compreende que se o compreenda.
As situações são determinantes: virtualidades odiosas ou criminais podem surgir em circunstâncias de guerra (o que, em menor porte, acontece nas guerras conjugais). Os atos terroristas se devem a grupos que, ilusoriamente, vivem uma ideologia de guerra em tempos de paz. Eles são como alucinados numa redoma. Mas assim que a redoma se rompe, muitos deles voltam a ser pacíficos. Essas pessoas, cegas tanto pelo auto-engano quanto por ilusões políticas, me parecem, ao mesmo tempo irresponsáveis e responsáveis, e não podem isentar-se nem de uma condenação simplista, nem de um perdão ingênuo.
Há uma relação entre compreensão, a não vingança e, no limite, o perdão. Victor Hugo declarou: “Eu tento compreender para perdoar”. É primordial considerar que o perdão é uma aposta ética, uma aposta na regeneração daquele que falha, uma aposta na possibilidade de transformação e de conversão ao bem, daquele que cometeu o mal. O ser humano não é imutável: ele pode evoluir para melhor ou para pior."
Cai chuva. É noite. Uma pequena brisa,
Substitui o calor.
P'ra ser feliz tanta coisa é precisa.
Este luzir é melhor.
O que é a vida? O espaço é alguém pra mim.
Sonhando sou eu só.
A luzir, em quem não tem fim
E, sem querer, tem dó.
Extensa, leve, inútil passageira,
Ao roçar por mim traz
Uma ilusão de sonho, em cuja esteira
A minha vida jaz.
Barco indelével pelo espaço da alma,
Luz da candeia além
Da eterna ausência da ansiada calma,
Final do inútil bem.

