sábado, outubro 21, 2006

quinta-feira, outubro 19, 2006

"Compreender é compreender as razões e as desrazões do outro. É compreender que o self deception, que é o enganar-se a si próprio, um processo mental bem freqüente, pode levar à cegueira sobre o mal cometido, e à auto-justificação, onde o assassinato do outro é considerado justiça ou represália.

A cegueira pode vir de uma impressão cultural sobre os espíritos. A cegueira pode resultar de uma convicção fanática, política ou religiosa. Quando os homens são possuídos pelas idéias, qual é a sua parte de responsabilidade nisso? Esse trabalho de compreensão tem algo de terrível, pois aquele que compreende se coloca em estado de total dessimetria com o fanático que não compreende nada, e que, evidentemente, não compreende que se o compreenda.

As situações são determinantes: virtualidades odiosas ou criminais podem surgir em circunstâncias de guerra (o que, em menor porte, acontece nas guerras conjugais). Os atos terroristas se devem a grupos que, ilusoriamente, vivem uma ideologia de guerra em tempos de paz. Eles são como alucinados numa redoma. Mas assim que a redoma se rompe, muitos deles voltam a ser pacíficos. Essas pessoas, cegas tanto pelo auto-engano quanto por ilusões políticas, me parecem, ao mesmo tempo irresponsáveis e responsáveis, e não podem isentar-se nem de uma condenação simplista, nem de um perdão ingênuo.

Há uma relação entre compreensão, a não vingança e, no limite, o perdão. Victor Hugo declarou: “Eu tento compreender para perdoar”. É primordial considerar que o perdão é uma aposta ética, uma aposta na regeneração daquele que falha, uma aposta na possibilidade de transformação e de conversão ao bem, daquele que cometeu o mal. O ser humano não é imutável: ele pode evoluir para melhor ou para pior."


Edgar Morin
Excerto do texto: PERDOAR É RESISTIR À CRUELDADE DO MUNDO, publicado no livro: ALMEIDA, M.-C.; KNOBB, M. & ALMEIDA, A. (org.), 2003.: Polifônicas Idéias - POA: Sulina

quarta-feira, outubro 18, 2006

Fernando Pessoa
Poesias Inéditas

Cai chuva. É noite. Uma pequena brisa

Cai chuva. É noite. Uma pequena brisa,
Substitui o calor.
P'ra ser feliz tanta coisa é precisa.
Este luzir é melhor.

O que é a vida? O espaço é alguém pra mim.
Sonhando sou eu só.
A luzir, em quem não tem fim
E, sem querer, tem dó.

Extensa, leve, inútil passageira,
Ao roçar por mim traz
Uma ilusão de sonho, em cuja esteira
A minha vida jaz.

Barco indelével pelo espaço da alma,
Luz da candeia além
Da eterna ausência da ansiada calma,
Final do inútil bem.

Que, se quer, e, se veio, se desconhece
Que, se for, seria
O tédio de o haver... E a chuva cresce
Na noite agora fria.


Pierre-Olivier Fineltin

terça-feira, outubro 10, 2006



«Baba antropofágica», 1973
Lygia Clark



In collective works like «Túnel» or «Objetos relacionais,» Lygia Clark initiates psychic processes of exchange which transform the dichotomy of subject and object. In doing so, she follows the transgressive logic of «devouring» and «vomiting». The reception of «Baba antropofágica» («Cannibalistic Saliva») also relies on the documentary film «O mundo de Lygia Clark,» filmed by Eduardo Clark in 1973. But escaping this phantasmal staging of the body seems almost impossible: kneeling over a guinea-pig-like subject lying on the floor, a figure pulls from its mouth—like spiders do from their bodies—a spittle-drenched thread and spins a cocoon around the reclining figure. The precarious division of subject and object is eliminated by this thread-like weaving, with the gestural webbing of the passive subject completing the inversion of the internal and external. In the retrospective, these interactive aspects might have been what was most convincing. In contrast to Performance and Body Art, Lygia Clark understood herself to be an initiator of processes, and was most successful in this respect when her haptic attempts on orderings were targeted at inter-subjective body politics.
(Source: Petra Löffler, «Lygia Clark, The Inside is the Outside», http://members.magnet.at/springerin/d/springer_2/springer_2_62.htm)

segunda-feira, outubro 09, 2006


Objetos relacionais em um contexto terapêutico: a estruturação de si próprio 1976-82
Lygia Clark

Nostalgia do Corpo
Objetos relacionais
1965-88
Lygia Clark

segunda-feira, outubro 02, 2006

-Vcs devem parar toda forma de tortura!!

-Ora, mas nós não torturamos ninguém!

-Nós fazemos o interrogatório reforçado de terroristas:

- À direita o estimulador elétrico da boa resposta, à frente o incitador de cooperação calorífico e à esquerda a sessão de persuasão hidratante...