sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Viva a diferença!!!!





as

GRES IMPÉRIO SERRANO
CARNAVAL 2007

Enredo: Ser diferente é normal: o Império Serrano faz a diferença no carnaval

Compositores: Arlindo Cruz/Maurição/Aloísio Machado/ Carlos Senna/ João Bosco
Intérpretes: Maurição, Nilton Sereno, Geraldão e Gustavo Henrique

EU QUERO VER
O AMOR FLORESCER
SER DIFERENTE É NORMAL
E O IMPÉRIO TAÍ
PRA LEVANTAR SEU ASTRAL
SE LIGA NO MEU CARNAVAL

SERRINHA VEM PEDIR RESPEITO
TEMOS QUE OLHAR DE OUTRO JEITO
QUEM NASCEU DIFERENTE
E VENCEU PRECONCEITO
A GENTE TEM QUE ADMIRAR
HARMONIZAR PRA SER FELIZ
DIFERENÇA SOCIAL, PRA QUÊ?
TÁ NA CARA QUE A BELEZA
ESTÁ NOS OLHOS DE QUEM VÊ
ROMANTISMO IRRADIA ENERGIA PRA VIVER
NESSE MUNDO ONDE TUDO É RELATIVO
MINHA ESCOLA É MEU MOTIVO
MEU MAIOR PRAZER!

A HISTÓRIA DO SAMBA MUDOU
BATERIA DIFERENTE, OLHA O TOQUE DO AGOGÔ
NO PRIMEIRO DESTAQUE E NA COMISSÃO
AS NOVIDADES VERDE-E-BRANCO, MEU IRMÃO

DIFÍCIL
CONVIVER NA ADVERSIDADE
COM ARTE SER EFICIENTE
FAZER DA PINTURA SUA LIBERDADE
FAZER ESCULTURAS USANDO A PAIXÃO
FEITIÇO DE POETA INVADE O CORAÇÃO
DIVINO É O PODER DA CRIAÇÃO
EU PERGUNTO A VOCÊ
SERÁ QUE EXISTE?
LIMITE ENTRE A LOUCURA E A RAZÃO

SINOPSE



Força inovadora do carnaval desde sua fundação, o Império Serrano foi a primeira escola de samba vinculada a um segmento profissional, os trabalhadores do porto do Rio de Janeiro. Nem por isso se tornou um gueto: a diferença era respeitada e havia lugar para todos. Jornalistas, funcionários públicos, donas de casa também opinavam e participavam. Por isso surgiu de forma tão forte e impressionante que se sagrou campeã, provocando violenta cisão na entidade representativa das escolas de samba da época, já que as co-irmãs se recusaram a aceitar a vitória da estreante.
Em sua origem está a luta pela liberdade de opinião e de expressão, que se mantém até hoje. No Império Serrano todo mundo é igual, apesar das diferenças, e o orgulho verde-e-branco recebe de braços abertos todos os interessados em trabalhar unidos em prol de um objetivo comum, numa lição de harmonioso convívio. O resultado está aí: sessenta anos de paixão e glória, fazendo a diferença na história do samba.

Foi fácil? Não. Nunca é fácil harmonizar o que não é igual. A dificuldade que o ser humano tem de conviver com a diferença (seja ela estética, social, religiosa, étnica ou cultural) é o grande mote do romance Notre-Dame de Paris, que elevou o escritor francês Victor Hugo a figura máxima do espírito literário do romantismo, movimento que valorizava o predomínio do conteúdo sobre a forma. Na torre da catedral de Notre-Dame vive isolado o sineiro Quasímodo, um homem de aparência deformada e feições distorcidas, porém sensível às manifestações de beleza, como as diversas festividades que acontecem em torno da catedral gótica. Adotado por uma autoridade religiosa que fez da rigidez seu modo de vida, apaixona-se por uma cigana e enfrenta uma série de peripécias por conta desse amor não correspondido.

Aceitar e respeitar o outro como ele realmente é nunca foi tarefa simples, na literatura como na vida real.
Na cidade alemã de Munique do final do século XIX um menino tímido, pouco sociável e bastante indisciplinado entrou cedo para a abominada lista de repetentes na escola. Alfabetizado somente aos nove anos de idade, apresentando raciocínio lento e aparente falta de memória, a dificuldade de aprendizado levou seus professores a crer que sofria algum tipo de retardo mental. Acabou interessando-se pelos emaranhados de números e cálculos da matemática e pela harmonia sublime da música, chegando a dominar o violino. Revelou-se uma mente brilhante e autor de numerosos trabalhos de física teórica; aplicando a teoria quântica à energia radiante, chegou ao conceito de fótons, que lhe valeu o Prêmio Nobel. Formulou a equação que seria a mais célebre do século XX, abrindo os caminhos para a era atômica e esclarecendo a origem da energia solar. Conhecida como teoria da relatividade, marcou profundamente a ciência moderna, mas sua importância só foi reconhecida posteriormente, transformando aquele “menino problema”, Albert Einstein, em um dos maiores cientistas de todos os tempos.

Além de lidar com a diversidade, há de se lidar também com a adversidade...
A infância marcada por procedimentos médicos e um terrível acidente forjaram uma mulher fisicamente debilitada e deficiente. Foi quando a mãe pendurou um espelho em cima de sua cama, na dolorosa convalescença, que Frida Kahlo começou a pintar freneticamente. Sempre pintou a si mesma alegando que “era o assunto que conhecia melhor”. Apaixonadamente passional e extremante vaidosa, cobria-se de jóias, flores e vestidos coloridos, tradicionalmente mexicanos, o que fez dela grande colecionadora de amantes (de ambos os sexos). Frida chocava porque era diferente – e orgulhosa – demais. Embora tenha usado tintas fortes para estampar suas telas e entrado no mundo da vanguarda artística dos surrealistas, dizia que nunca pintou sonhos, pois apenas pintava a própria realidade: uma vida tumultuada por sofrimentos físicos e dramas emocionais. Ensinou-nos a pintora mais importante do século XX:
“ Para que preciso de pés quando tenho asas para voar?”

O trabalho dignifica o homem, e um gênio negro mostrou seu valor em verdadeiros tesouros. Vivia do produto de suas mãos e um dia descobriu uma doença que o degenerava lentamente. Como continuaria criando sua arte? Teria que enterrar o dom dentro de si? Absolutamente não. Antônio Francisco Lisboa não abandonou seu ofício. Quando as mãos se danificaram por completo, amarrou nelas correias de couro para poder segurar seus instrumentos; com os pés atingidos, foi obrigado a andar de joelhos. O povo o apelidou de Aleijadinho. Foi difícil obter o reconhecimento de seu talento, pois também não lhe perdoavam a condição de mestiço e, mesmo celebrado como grande escultor e projetista, a cor mulata ainda mantinha erguidas as barreiras do preconceito. Suas imagens sacras, profetas, altares e igrejas permanecem como testemunho do desenvolvimento artístico de Minas Gerais no século do ouro. A quantidade e a maestria de suas realizações levaram o biógrafo francês, Germain Bazin, a chamá-lo de “Michelangelo tropical”.

A sensibilidade e a competência revertem qualquer quadro que se apresente desfavorável à primeira vista.
Lesionado no queixo pelo fórceps em seu nascimento, o violonista Noel Rosa encarou sua “diferença” com filosofia bem-humorada e irônica como um bom rapaz folgado. Ela nunca impediu seu feitiço de poeta de arrebatar corações apaixonados.
Sua música tocou as ruas do Rio de Janeiro e ganhou notoriedade ainda muito jovem, mas combatia o constrangimento que o defeito físico lhe causava evitando grandes reuniões sociais e buscando refúgio em bares, botequins e cabarés. Captou e, acima de tudo, criticou as transformações de uma época de transição urbana carioca legitimando seu papel de cronista do samba. A modernidade da eletricidade, gramofones, rádios, apitos de fábricas e chaminés compunham um novo cotidiano e um modo de vida “diferente”.
O talento é realmente soberano, invencível e aleatório: bafeja inclusive os que não se enquadram adequadamente em padrões estabelecidos. Se ele não discrimina, por que discriminar?
Do manicômio para a liberdade criativa, o estranho mundo de Arthur Bispo de Rosário revelou um mestre das artes plásticas brasileiras com reconhecimento internacional. Seus divinos trabalhos multicoloridos consagraram seu delírio intelectual ao registrar para o Criador o universo ao seu redor. E se “de perto ninguém é normal”, no carnaval se abre o sanatório geral da sociedade, pois nos dias de folia as diferenças se diluem e se igualam como na marcha carnavalesca Exuberante da “verdadeira encarnação da alma musical brasileira”, o louco Ernesto Nazaré:


“ (...) À folia! À folia!
Ao baile, TODOS
Neste brincar sem fim
À folia! À folia!
TODOS pulando assim (...)”

Jack Vasconcelos
Carnavalesco









quinta-feira, fevereiro 08, 2007

domingo, fevereiro 04, 2007

MOSKA - ÚLTIMO DIA

Quinino...


Tomas March
Quina (Chichona oficinalis), 2000
Acuarela sobre papel
30 x 22,5 cm.















Antárctica Tônica Lata. Elaborada a partir de água gaseificada e extrato vegetal de quinino.

O quinino é extraído da casca de uma planta denominada chichona ou quina, conhecida por suas qualidades medicinais, como auxiliar no processo digestivo.

quinta-feira, dezembro 14, 2006

sábado, dezembro 09, 2006

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Árvore de Natal


Enfants réunis autour d'un arbre de Noël (oranger en caisse) dans un intérieur bourgeois à la fin du XIXe siècle

Lithographie coloriée
Imagerie française, Metz.

quarta-feira, novembro 29, 2006


Rabbi Nilton Bonder with his surfboard
Ipanema Beach, Rio de Janeiro, Brazil, January 2003
Photograph: Zion Ozeri

domingo, novembro 26, 2006

Arcimboldo

Summer
Giuseppe Arcimboldo (about 1527-1593)
Oil on canvas

© Musée du Louvre, Cliché G. Blot/RMN

segunda-feira, novembro 13, 2006

domingo, novembro 12, 2006

"Para pensar complexo é preciso ser complexo"
(Morin, E. 2003 - Meus demônios - Bertrand Brasil)



"O Amor é o centro da ontologia moriniana. Constitui o princípio gravitacional da supercomplexidade da vida, pois "
pode iluminar-se, regenerar-se, refecundar-se sem deixar de se perder, de se dispersar, de se degradar " (Morin, 1980 - Método 2). Fonte de concretização do relacionamento, o amor é a pulsão essencial que fertiliza a força transformadora da vida, a potencialidade imanente de auto-transformação que cada ser humano tem em si. "A força do amor desenha a magia do encontro do sagrado com o profano, do mitológico com o sexual, ao religar as individualidades egocêntricas em seus caracteres mais intima e intensamente subjetivos".(op. cit)".

(Pena-Vega, A. & Nascimento, E. 1999 - O Pensar Complexo - Garamond)

Amor Poesia Sabedoria



“Reconhecemos o amor como o cúmulo da união da loucura e da sabedoria, isto é, que no amor, sabedoria e loucura não só são inseparáveis como se entregam uma à outra. Reconhecemos a poesia não só como modo de expressão literária, mas como estado, dito segundo, que nos surge da participação, do fervor, da admiração, da comunhão, da bebedeira, da exaltação e, claro, do amor que em si contém todas as expressões do estado segundo. A poesia está liberta do mito e da razão trazendo em si a sua união. O estado poético transporta-nos, através da loucura e da sabedoria, para além da loucura e da sabedoria.”

“O amor é parte da poesia da vida. A poesia é parte do amor da vida. Amor e poesia geram-se um ao outro e podem se identificar um ao outro.”
“A sabedoria pode problematizar o amor e a poesia, mas o amor e a poesia podem, reciprocamente, problematizar a sabedoria.”
“O excesso de sabedoria torna-se louco, a sabedoria só evita a loucura misturando-se com a loucura da poesia e do amor.”
“Amor e poesia, quando concebidos como fins e meios do viver, dão plenitude de sentido ao "viver para viver".”

Edgar Morin
Amor Poesia Sabedoria. 1997

segunda-feira, novembro 06, 2006

Sobre a caligrafia
Arnaldo Antunes
20/03/2002

Caligrafia.
Arte do desenho manual das letras e palavras.
Território híbrido entre os códigos verbal e visual.
— O que se vê contagia o que se lê.
Das inscrições rupestres pré-históricas às vanguardas artísticas do século XX.
Sofisticadamente desenvolvida durante milênios pelas tradições chinesa, japonesa, egípcia, árabe.
Com lápis, pena, pincel, caneta, mouse ou raio laser.
— O que se vê transforma o que se lê.
A caligrafia está para a escrita como a voz está para a fala.
A cor, o comprimento e espessura das linhas, a curvatura, a disposição espacial, a velocidade, o ângulo de inclinação dos traços da escrita correspondem a timbre, ritmo, tom, cadência, melodia do discurso falado.
Entonação gráfica.
Tais recursos constituem uma linguagem que associa características construtivistas (organização gráfica das palavras na página) a uma intuição orgânica, orientada pelos impulsos do corpo que a produz.
Assim como a voz apresenta a efetivação física do discurso (o ar nos pulmões, a contração do abdómen, a vibração das cordas vocais, os movimentos da língua), a caligrafia também está intimamente ligada ao corpo, pois carrega em si os sinais de maior força ou delicadeza, rapidez ou lentidão, brutalidade ou leveza do momento de sua feitura.
A irregularidade do traço denuncia o tremor da mão. O arco de abertura do braço fica subentendido na curva da linha. O escorrido da tinta e a forma de sua aborção pelo papel indicam velocidade. A variação da espessura do traço marca a pressão imprimida contra o papel. As gotas de tinta assinalam a indecisão ou precipitação do pincel no ar.
Rastos de gestos.
A própria existência de um saber como o da grafologia, independentemente de sua finalidade interpretativa sobre a personalidade de quem escreve, aponta para a relevância que podem ter os aspectos formais que, muitas vezes inconscientemente, constituem a "letra" de uma pessoa.
O atrito entre o o sentido convencional das palavras (tal como estão no dicionário) e as características expressivas da escritura manual abre um campo de experimentação poética que multiplica as camadas de significação.
Além disso, suas linhas, curvas, texturas, traços, manchas e borrões, mesmo que ilegíveis, ou apenas semi-decifráveis, podem produzir sugestões de sentidos que ocorrem independentemente do que se está escrevendo, apenas pelo fato de utilizarem os sinais próprios da escrita.
O A grávido de O.
Érres e ésses atacando Es.
A multiplicação de agás.
Rios de Us e emes e zês.
Esqueletos de signos fragmentados.
Dança de letras sobrepostas possibilitando diferentes leituras.
Paisagens.
Horizontes ou abismos.

sábado, novembro 04, 2006

La Ribot


Image from 40 espontáneos performed at Dance Umbrella October 2005, London. Photo: Hugo Glendinning

quinta-feira, novembro 02, 2006

"É da natureza do amor
- como Lucano observou há dois milênios e Francis Bacon repetiu muitos séculos depois -
ser refém do destino". (p.21)

"Todo amor empenha-se em subjugar, mas quando triunfa encontra a derradeira derrota. Todo amor luta para enterrar as fontes de sua precariedade e incerteza, mas, se obtém êxito, logo começa a se enfraquecer - e definhar. Eros é possuído pelo fantasma de Tanatos, que nenhum encantamento mágico é capaz de exorcizar. A questão não é a precocidade de Eros, e não há instrução ou expedientes autodidáticos que possam libertá-lo de sua mórbida - suicida - inclinação". (p.22)

"Não importa o que você aprendeu sobre o amor e amar, sua sabedoria só pode vir, tal como o Messias de Kafka, um dia depois de sua chegada.
(...) O amor é uma hipótese baseada num futuro incerto e inescrutável. O amor pode ser, e freqüentemente é, tão aterrorizante quanto a morte. Só que ele encobre essa verdade com a comoção do desejo e do excitamento". (p.23)

Zygmunt Bauman, 2004
Amor Líquido - sobre a fragilidade dos laços humanos - Zahar
Carpe diem,
nec minimum credüla postëro

(APROVEITA O DIA (DE HOJE), CONFIADA O MENOS POSSÍVEL NO DE AMANHÃ)


Horácio - Odes, Livro 1, 11, 8.

quarta-feira, novembro 01, 2006

Noites Cariocas com Rita Lee!!!


foto: Gabriela Andrade

Transreligião

"O que torna uma resolução tão difícil é não sabermos o que queremos e o quanto queremos."

Existe um povo, que "faz uso de uma tradição muito antiga que experimentou encrencas e dificuldades de todas as sortes. E a necessidade é a mãe das resoluções. No caso particular desta tradição, condições muito favoráveis permitiram uma visão de vida muito aguçada e perspicaz, que passou a ser popularmente chamada de 'ídiche kop', literalmente 'cabeça de judeu', entre os próprios judeus. Não se trata de um método e nem de uma sabedoria, mas o acúmulo de 'massa crítica' mínima de problemas necessária para instaurar um processo existencial voluntário de questionamento do impossível."

"... os segredos da recontextualização estão... observação cautelosa da realidade. Desde tempos muito antigos, a tradição cabalística afirmava que a realidade existe em camadas, como uma cebola. Desfazer uma a uma estas camadas permite dissecar a realidade com índices de eficácia muito maiores do que sua percepção reduzida a uma única dimensão."

"A impossibilidade é uma condição momentânea, e quem sabe disto não desiste. E nenhuma outra postura é tão instigadora de criatividade e intuição quanto o 'não desistir'. O simples fato de permanecer no 'jogo' abre opções que, fora dele, ao se 'jogar a toalha', obviamente não existem."

"A simplicidade que uma resolução pode assumir quando não comprometida com 'resoluções estéticas' chega a ser experimentada de forma cômica por um observador."

Nilton Bonder
"O segredo judaico de resolução de problemas: a utilização da ignorância na resolução de problemas" - Rio de Janeiro: Imago Ed., 1995.